Superlativo

Julho 21, 2007 at 1:40 pm (Uncategorized)

não, obrigado.

eu me abstenho.

não vou me sentir menor por passar a noite sem beber. eu quero os meus olhos mais que sóbrios para me lembrar dos os teus trejeitos quando acordar de manhã.

o delírio insano da tontura do teu álcool não nomeia as flores que eu estou habituado,

e tampouco o gosto de chocolate que eu tenho no meu copo aparece nos bares do teu convívio.

continuo aqui com o meu copo de leite. estou cultivando uma horta de flores para entregar um buquê a quem mais mereça. nada do que você bebe tem nome de flores.

eu sou dado a prazeres dos mais simples

e os meus superlativos só server se forem sublimes.

se for para cruzar extremos, que sejam os bons.

não os recordes de ressaca,
de acidentes,
promiscuidade,
de tragédia.

não basta ser um dos que esbarra na porta. é preciso ser o que quebra as vidraças, e isso eu não quero.

eu gosto do vento das altas velocidades, mas ter o controle do processo me faz me sentir senhor do meu caminho.

estou de olho no quanto piso para poder frear no sinal vermelho.

e superlativo vicioso eu não aprecio:

esse teu modo de vida é agitadíssimo,
divertidíssimo –

e aborrecidíssimo.

não vou recolher os restos que sobrarem desse vício. o meu maior prazer vem de poder chegar inteiro até o final.

se for para ter vício, que seja vício em bondade.

assim poderei apreciar um modo de vida belíssimo.

um superlativo feito para o bem.

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Gula

Julho 9, 2007 at 1:41 pm (Uncategorized)

é com a ponta da língua que se sente o sabor dos doces.

eu ando te sentindo em cada centímetro com a ponta da língua porque os dias amargos já ficaram para trás. me dá uma gula insana de te devorar numa mordida só, de forma egoísta, sem deixar ninguém ver. como uma criança meio gorda diante de uma barra de chocolate, sem deixar nenhum pedaço.

te ter às vezes é doce demais até para mim.

que culpa tenho se você vem embrulhado em papel brilhante, como para presente. comer com gula vai me causar indigestão na certa. não tenho dúvidas de que será imensamente prazeroso, mas aprendi a me deixar com uma carapaça dura tal qual um caramelo em ponto de bala:

um açúcar concentrado que só me faz mal mas me enche de prazer. isso me traz doces dias, mas maltrata o meu sangue ao longo da vida. não vai me servir de nada além de me dar energia no começo, mas me deixar mais pesado com o tempo.

te ter me deixa lento com o tempo.

eu não quero me perder sozinho depois desses dias.

será como me perder em deserto branco. uma duna inteira de açúcar bem fino.

“insano do homem que constrói sua casa em uma duna”.

sou mais o açúcar saudável das frutas, que dá pra comer com casca e tudo.

tem um secredo que é guardado em sementes minúsculas como as de morango: ela, tão miúda, sabe como fazer uma floresta inteira.

e eu, com a capacidade de comer vários morangos de uma só vez,

ainda não descobri como elaborar esta façanha.

me desculpa, mas deixarei você e seus doces de lado.

vou abdicar desse prazer intenso por enquanto

para ter para mim uma vida mais saudável.

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